sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Assim, nós dois....

Poderia passar,
a vida a te contemplar.
A somente a olhar e a imaginar,
o seu sono, os seus sonhos....

Poderia passar,
a vida inteira a passear.
Com minha mão roçando a sua...
Com meus passos seguindo os teus,
Com minha pele crepitando a tua...

Poderia passar,
a vida inteira a te amar...
Com meus lábios saciando os teus,
meu corpo, esquentando o teu,
minha existência se unindo à sua...


 

sábado, 29 de outubro de 2011

Geleia de Mocotó

Eita trem bão!
Esta comidinha me ajudou a crescer.
Forte, saudável, nutritiva!

Outro dia passeando
no supermercado e vi.
Ela ali na prateleira.

Simples em meio,
a apetitosos doces de chocolate,
Nutela, doce de leite, biscoito.

E quanta saudade senti,
"da aurora da minha vida,
da minha infância querida,
que os anos não trazem mais"...

Nem pensei.
Ignorei os outros,
e peguei minha geleia.
E com ela toda contente,
fui para casa matar a saudade!


domingo, 9 de outubro de 2011

Sei que nada sei

Sabe... nem sei,
de que material sou feita...
Se de sonho ou de pedra.
Se de aço ou de espera...

Acho que sou de água.
De um fio calmo que desce sem trégua.
Que nasceu de água doce,
Mas que há muito se mistura com a salgada...

Penso que sou de sonhos...
Sonho, sonhando pelas ruas...
As nuvens são o granito onde piso.
Meus sonhos, tão sonhadores que nem digo...

Creio que sou de lágrimas e de alegrias.
Lágrima salgada que desce,
que contorna os traços de um sorriso...
Alegria contida num abraço amigo!

Na verdade,
Só sei que nada sei.
Vivo sonhando e dançando,
Crendo e me despindo,
Das fantasias que a realidade me acaba rindo...!

domingo, 18 de setembro de 2011

Simplesmente flor

A flor que flutua no largo,
exuberante odor adocica.
E os olhos embriagados do amor
do amor que não se anuncia.
Deitada no leito sonhava,
sonhando com flores e poesias...
Acordada se via prostrada
do amor que outrora sentira....

domingo, 11 de setembro de 2011

Ser...

Sou barroca,
sou metade barro,
metade oca.


Sou da natureza pura e nua,
sou dos jardins suspensos,
das estrelas e da lua....


Sou alegre e sou triste,
sou o avesso do mundo,
sou o sonhar sonhando nas ruas...


"Sou fogo que arde"
e se vê ardendo,
em pensamentos, letras
alegrias e descontentamentos.


Sou a caminhada, a contemplação,
sou o espectro do espelho a refletir,
a metade de mim, a metade de ti....





OBS: " Minha Namorada" -  Vinícius de Moraes e Carlos Lyra

domingo, 4 de setembro de 2011

Flor e beija flor


A flor andava triste.
E o beija flor cismado perguntou,
se era o amor, a causa de sua dor.

A flor balbuciou que sim.
Apaixonara-se por um pastor
que toda manhã costumava regá-la,
enquanto no campo trabalhava.

O beija flor então perguntou:
- “onde está o seu pastor ?”
E a flor respondeu: :
-“ está a regar outro amor”...




Obs: esta poesia é antiga estou  apenas reeditando-a...

sábado, 27 de agosto de 2011

Livros...


Que doce encanto é te ler!
Folhear suas páginas...
e com elas sonhar.
Que mergulho saboroso em tuas palavras!
decifrar a alma do personagem,
e com ela viajar....

Sentada num tapete mágico,
Perscruto as mil e uma noites de Sherazade...
Contemplando no cimo de um monte,
Sinto o Morro dos Ventos Uivantes....
Parada numa estação de trem,
Vejo a triste Ana Karenina...
a chorar e prostrar....

Minha imaginação não para de trabalhar.
Vivo no mundo dos sonhos.
          Os sonhos que a literatura me conta...                     
São belos, são tristes, são alegres!
E minha pretensa alma de poeta...
não consegue deles se afastar....!

Adormeço após um dia de guerra.
Sinto-me Natasha em Guerra e Paz.
Paz no coração de uma virgem de lábios de mel...
Guerra, numa Vida Severina sem espera...

Que doce melodia é te ler!
Obrigada pela companhia que me faz!
Pelas contos de aventuras que me contas...
Por compartilhar do meu leito,
E adormecer junto ao meu peito....!





sábado, 20 de agosto de 2011

Contraste


Sou das flores de abril,
que passeiam seu perfume pelo ar.
Sou da natureza pura e virgem,
que agracia sua beleza neste altar...

Sou da suavidade, suave...
Suave brisa que aquieta a tempestade.
Sou o céu azul a te alegar,
e também as nuvens nebulosas,
a contigo chorar...

Sou o céu, sou o inferno,
Sou barroca!

E o que posso fazer ?
Se consigo os teus lábios enfeitiçar...
a dizer balbúrdias, alucinações
prosas de amor e poesias de dor...

Sou o amor forte, vital!
Que faz teu sentido vibrar.
Sou o esplendor da luz a me guiar,
para meu passo nesta relva não afundar...

E, principalmente sou,
o braço amigo e amante....
a contigo ninar....


domingo, 7 de agosto de 2011

Verdade mais que verdadeira


Capacidade de ser feliz...?
Sentir feliz...
Sorrir feliz...

Quem tem? Quem possui?
Este tesouro guardado,
bem no quentinho do coração...
Que é capaz de adornar,
a mais triste melodia...

Quem ama? A quem amar?
Senão um pedacinho,
de um bom coração...
Que seja capaz de ninar,
e te cantar as mais doces canções...

Nada demais,
Só o amor é demais...
Suficiente e reitero,
Sempre meu presente tema...
Meu primo tema...
Meu eterno tema....!

sábado, 30 de julho de 2011

Verdades...?


Pensamentos que vêm.
Ideias que se partem...
Palavras não ditas,
e há muito esquecidas.
Quando sou pressionada...,
ou quando fico emocionada...

Cabeça, cabeçinha...!
Por que dois?
É por ti, ou pelos outros?
E pelos deveres que carregas,
ou pelas crises que tu te empregas?

Primeiro, eu!
Seja egoísta consigo.
Sem falsos moralismos,
ou ideiazinhas politicamente corretas....

O que te cercas?
Se não cuidar de mim,
quem vai cuidar de ti?

Seja dorminhoca, preguiçosa.
Ria para o espelho!
Ria bastante dos seus erros.
E se reptí-los...
ria ainda mais!

Porque, senão...
Sua cabeça vai doer.
Seu ombro endurecer.
Sua fala gaguejar.
E sua carcaça enferrujar...!


PS: Deus acima de tudo, sempre! ;)

sábado, 16 de julho de 2011

Amor, velho amor...


Das trovas medievais...
Dos epitalâmios matrimoniais....
Das declarações castelares...
E das sonatas lunares...


A inspiração sempre pulsante,
que a cada verso proclama...
Um amor que sempre reclama...
Lágrimas que sílabas declamam...


É sempre o amor, velho amor.
que em todo verso idealiza.
Sonhos, desejos, fantasias que materializam.
Somente ideias, que a realidade martiriza....


O real... é o poema!
É o sonho dos versos,
que alegra qualquer coração transverso...
Ou alivia a dor,
de um ser sem cor....


As tovas... são encantadas!
Os epitalâmios...os deliciosos votos de amor
As declarações catelares.... simplesmente corações românticos!
As sonatas lunares....ah...
Essas sim, me fazem sonhar...

PS: Romeu e Julieta de Willian Shakespeare. Este filme baseado na obra do notável escritor inglês, retrata o mais romântico e trágico dos amores. Um amor puro, adolescente, genuíno, sem limites, que não temeu a intolerância e a morte. Lindo filme, datado de 1968, com uma trilha sonora belíssima.
Vale a pena assistir...! 




sábado, 2 de julho de 2011

Assas



Coragem para voar,
como o condor em cima dos abismos.
Alçar voos por entre os cimos.
Voar somente para me encontrar.

Dar fuga ao coração,
para extravassar o seu dragão.
Que adormecia, mas agora acorda.
Acordar, dançar e amar!

Assas, assas!
Que vem da alma libertada.
Com meu ser bem longe dos grilhões.
Dou voz, vida, força, sou toda alada!

Alar por entre as montanhas.
Alar sobre o mar.
Alar por entre as pessoas.
Somente alar para me encontrar!
 

sábado, 25 de junho de 2011

Nem sei...


Doce olhar...
Vago, reticente...
Infinitamente sonhador.
Por vezes, sofredor...

Para quem olho?
Para o espelho?Para a lua?
Para o horizonte de uma louca melancolia.
Para as montanhas, caladas, juntas e tão sozinhas!

Meus versos tão imprecisos...
Não são métricos, nem decassílabos.
Longe da perfeição técnica do Parnasianismo.
São vagos, reticentes  e profundamente indecisos!

Tenho um "doi doi" no coração,
que se chama paixão.
Se essa rua fosse minha,
se chamaria solidão...

Quem dera mandar ladrilhar com brilhantes,
para ver meu amor passar.

Vê-lo passar,
com um buquê de encantos nas mãos,
a me pedir com sofreguidão,
carinho, amor e atenção...
E a me ofertar,
compreensão, amor, afeto e perdão...

Há tanto amor dentro de mim!
Tanto, tanto!
Que nem sei o que dele é feito...
De tão intenso, de tão acalourado!
De tão acolhedor!

É vago, é reticente, é doce...
sonhador e profundamente amante...
Impreciso, só...
Mas que tanto te quer compartilhar!
                           ( e contigo estar)


domingo, 12 de junho de 2011

Colorido





Ê vida danada!
Que dá volta e meia.
E na meia volta,
enrolada esse meu brocardo.


Que doi a vista da gente,
quando avista o redemoinho.                           
Ora de águas claras.
Ora de águas turvas.
Sempre girando.
Água viva que grita!


Nos trilhos do trem.
No piuí do maquinista.
Nos vagões cheios de artista.
Deste  teatro chamado vida.
Lá vou eu, em cima da crista!

Essa vida é mesmo enrolada ( ou será eu??)
igual a novelo de lã.
que se enrosca nas garras do gato.
E vai dando nó.
Em cima do meu telhado.


É vida danada!
Do poeta ao saltibanco.
Da moça que chora o pranto.
Do padre que veste o manto.
Da beata que reza pro santo.
Lá vou eu, sentada num banco!


Vida danada que não se entende.
Num tumultuar de muita gente.
E no meio a criança que chora e geme.
Lá vou eu, com esta gente que sente...!




sábado, 4 de junho de 2011

Tempos da Psiquê




Sou incansável, romântica e pretérita!
Gosto do mais - que – prefeito.
Mas aí de mim!
Só conjugo no futuro do pretérito!

Sou amante, sou pulsante, sou errante!
O eros sempre é pedaço de mim.
Mas que fardo é este fato,
Ele sempre está a fugir de mim...!

Sou ardência, sou crepitada em fogo!
Danço para a nudez da lua.
Aconchego para a volúpia do sol.
E adormeço amando... na ludibriada escuridão...!

Sou toda poesia e comigo não há prosa!
Sou subjetiva e gosto do subjuntivo.
Não sou de convicção e ideias formatadas.
Sou idealista, utópica e bem antiquada!

Sou um fervor!
E que posso eu fazer?
Nada...ninguém muda minha essência.
Por isto conjugo no tempo que quiser!